Eu ainda sou do tempo em que pensava no ano de 2014 e na sua Primavera.

Dizia eu, então, quando caminhava de Primavera em Primavera que, no ano de 2014, caminharia por aí sobre alcatifas de verduras salpicadas de muitas flores.

 

 

 Uma flor crocus, uma beleza que é largada nas pegadas da minha amiga Primavera

 

Se tudo me fosse correndo bem, em 2014, eu caminharia por aí, pisando verdura, vendo entumecer os botões das árvores das frutas e outras e iria vê-los explodir à Luz do meu amigo Apolo. Assim, com um pouco de sorte e com a ajuda do Senhor da Esfera, continuaria a ouvir as saudações das flores dos pessegueiros, das macieiras, das pereiras, das laranjeiras, das ameixieiras, das ginjeiras, ... e de tantas outras.

 

 

Flores azuis que me acompanharam numa pequena camihada pelo Cabo Raso

 

Continuaria a caminhar entre as urzes brancas e roxas e continuaria a transformar as Ericas (carrascas rosadas) nas mais lindas das minhas alcatifas.

Continuaria a ver brotar as águas das fontes onde, iniciadas as suas caminhadas, rolariam montanha abaixo e se transformariam em grandes rios. Continuaria a caminhar sob o manto azul do céu iluminado com a Luz, muito especial, do meu amigo Apolo.

Tudo isto com calma e serenidade certificando que os tempos das correrias teriam acabado. Tudo isto seria o mínimo dos mínimos.

 

 

 Belezas amarelas, conhecidas de todos que me foram apresentando a Primavera, pelos meus caminhos

 

Mas, projectando a minha vida pelas sombras escuras do futuro, caso ela me viesse a correr bem, talvez eu viesse a fazer as minhas caminhadas de Leste para Oeste, à volta do mundo, sempre na peugada do meu amigo Apolo. Continuaria a ficar por aqui e por ali, esperando reiniciar mais adiante a nossa caminhada conjunta, abandonando-o de vez em quando para, quem sabe, me vir a sentar nas mesmas pedras que outros, com mais ou menos sorte, em dias passados, se vieram a sentar também.

 

 

 Também no Cabo Raso onde me vão esperando na esperança de continuarmos as nossas caminhadas primaveris

 

Estou a pensar nos homens que levantaram Stonehenge, nos homens que levantaram as grandes Pirâmides, nos homens que levantaram o templo de Karnak e outros. Caminharia nas margens do Eufrates e do Tigre, tal como caminharam Hamurábi, Nabupolassar, Nabucodonosor, Ciro, Dario, Alexandre e tantos outros.

 

Sentar-me-ia ao lado de Constantino, ao lado de Santa Sofia, na grande Igreja ou grande Mesquita, conforme as vossas preferências;

sentar-me-ia ao lado de S. Pedro, em Roma;

observaria as paisagens que os Vikings observaram;

caminharia nas planícies e nas dunas marroquinas junto com D. Sebastião e talvez viesse a beber o leite dos camelos e das cabras como os berberes.

Viria a caminhar, certamente, pelos desfiladeiros gregos tal como o das Termópilas como Leónidas, o espartano e os seus 299 companheiros, recordando, in loco, esses 300 magníficos.

Observaria o Pireu nas suas águas azuis e talvez viesse a observar, em sonhos, as esquadras persas a banhar-se nas suas águas, penetrando nelas.

 

 

Belezas azuis companheiras das minhas caminhadas, servindo-me de alcatifas e que eu faço tudo para não pisar

 

Viria a saber, com certeza que, este mundo, apesar de pequeno, é muito grande para cada um de nós.

 

Mas cá estou eu, em 2014, a receber mais esta Primavera que vai ser a minha 69ª.

Como já disse no meu Planeta Azul, Diana informou-me que ela, este ano, trás na sua coroa de flores, entre outras, as flores da urze branca.

 

 

As flores da urze branca que este ano decidiram caminhar a meu lado

 

Com vagar ou com pressas, eu e a Primavera temos caminhado lado a lado.

Ontem, no Largo do Alvito, na véspera da chegada da Primavera de 2014, observava, juntamente com um pisco de peito ruivo, a bela piscina das Tágides, as minhas amigas que, juntamente com a Primavera, se banhavam nas águas azuis daquele rio a que os homens chamaram Tejo, ao mesmo tempo que as flores de Monsanto cantavam laudas a Apolo, enquanto à minha esquerda, ia olhando o meu amigo pisco, pulando entre as árvores e a relva que, observando-me a mim e ao Tejo, me dizia:

"vês, Ventor! Que mais querer? Que mais querer que um céu azul onde Apolo caminhe serenamente?

Que mais querer que olhares um rio tão belo espraiado a teus pés, onde as Tágides se banham a teus olhos?

Que mais querer que todas estas flores a observarem-te?

Que mais querer, além da minha companhia cantando para ti?

Que mais querer, Ventor?

Que mais querer sabendo que ela, a beleza colorida, caminha eufórica na tua direcção, de braços estendidos?

 

 

Mais flores azuis nas caminhadas do Ventor

 

São tantas as belezas que te rodeiam Ventor!"

Escuta as rolas;

escuta o pombo bravo;

escuta a alvéola que te está observando;

escuta o cântico do melro;

Escuta o cântico do pintassilgo, bem como de todos os outros penudos.

 

Observa a beleza das Tâgides, Ventor! Olha como elas saem e entram nas águas azuis do Tejo. Amanhã, com ou sem ti, espero aqui estar a receber a mais bela e florida de todas as belezas que irá chegar de braços estendidos para todos nós.

Bem-vinda Primavera".

 

Despedi-me do pisco de peito ruivo e segui na minha azáfama de todos os dias, gritando também: "Bem Vinda Primavera" e me despedia daquele amiguinho lindo que me presenteou com a sua companhia.

 

 

 Uma beleza penuda, uma pisca, minha companheira de caminhada, tentando ensinar-me o que é a Primavera

Em todo o mundo há flores lindas, como as minhas Flores de Inverno ou Flores da Vida mas, não ofuscam as flores das minhas Montanhas Lindas

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publicado por Ventor às 16:57