Vai ser assim que eu vou passar a chamar a este blog - Flores da Vida.

 

Num dia de Inverno chuvoso, ao fugir à chuva, encontrei várias flores, selvagens muito lindas. Eu quase não apreciava as flores selvagens desde os meus 15 anos. Quando passeava nas montanhas, via uma ou outra flor, aqui ou ali mas, normalmente, isso só acontecia na Primavera e no Verão porque, depois de sair das minhas Montanhas Lindas, saí praticamente de todos os montes.

 

È evidente que sempre vi flores, mas ver flores em jardins públicos ou privados não é a mesma coisa que ver flores como o Senhor da Esfera nos permite observá-las no seu estado natural. Só trabalhadas pelas mãos do Senhor da Esfera não é a mesma coisa que trabalhadas por Ele e mexidas pelas mãos dos homens. É uma beleza ver as flores naturais e selvagens tal como nos aparecem no caminhar das nossas vidas e delas. Sem sacholas, sem adubos, sem nada!

 

 

Flores Anónimas

 

Sem menosprezar a beleza de todas as flores que são trabalhadas pelas mãos dos homens, eu sempre dei muito valor às flores que nascem, crescem e morrem sem a protecção humana. Elas estão sugeitas a todas as intempéries e, sobrevivendo, a sua beleza torna-se muito maior. Depois das flores que deixei de acompanhar nas minhas montanhas e nos prados e campos de Adrão, praticamente, só voltei a apreciar as flores, em África.

 

 

Flor Anónima

 

Estava em Marrupa, em 1968, bem longe do mar e ainda não tinha chuvido, mas notava-se no ar, a influência da humidade das monções do oceano Indico. De repente, mesmo antes das primeiras chuvas, eis que os trilhos dos montes por onde caminhava começaram a ficar floridos. Para mim era uma beleza nova! Uma beleza que nunca tinha apreciado. Depois regressei de África e o trabalho afastou-me da liberdade de poder apreciar as flores. Tudo fora substituido por amplos corredores com as cores das alcatifas e, normalmente, só via flores de plástico ou naturais, por vezes, em jarras de plástico, de vidro, de .... Como alternativa contentava-me com as flores dos jardins de Lisboa, até ao dia que corri da chuva e as poucas flores que resistiam ao Inverno, todas emproadas, parecia que me gozavam.

 

 

Flor Anónima

 

A partir dali, comecei a recordar as lindas flores de África, ao vivo e em slides emprestados. Depois fui recuando no tempo e voltei a entrar imaginando por entre as flores das  minhas montanhas. Por fim, comecei a regozijar-me com as minhas caminhadas passadas e presentes, por entre as carrascas e as urzes das minhas montanhas lindas e no meio dos prados de feno do Curral das Cabras, aqueles que foram dos mais belos jardins das minhas velhas caminhadas.

 

Por isso, por ser no Inverno que voltei a  olhar com mais um pouco de atenção para algumas flores, passei a chamar-lhes, Flores de Inverno. Mas hoje sinto dificuldades a escrever sobre as Flores de Inverno, por isso passo a chamar-lhe Flores da Vida.

 

Para começar, vou falar-vos de uma flor que nunca mais vi. Essa é uma ds flores da minha vida! E vejam bem, nem sei o seu nome!

 

 

Flor Anónima

 

Quando eu era criança, existiam nos sucalcos das lavouras de Adrão umas florzinhas azuis a que a minha gente chamava raminhos de S. João! Eram umas flores tão selvagens que apareciam, diziam olá, e desapareciam dentro de dias. Elas apareciam por altura do S. João, se calhar daí o nome que lhe davam!  Estou farto de procurar na Net mas não vejo nada igual, nem sequer semelhante. Tinha planeado ir este ano, pelo S. João (mas não se proporciona), até aos sucalcos do Carril e da Veiga, em Adrão, mas os sucalcos de hoje não são como os sucalcos de outrora. Os campos não são trabalhados, os milhos não são regados e, se calhar, as florzinhas azuis do S. João, não existem mais!

 

 

Flor Anónima

 

Será que não voltarei a ver uma florzinha azul do S. João? Nem numa foto?

 

Também eu não sei como realmente ela é! Se soubesse desenhava uma e mostrava-vos o desenho, mas já passaram tantos anos que não sei a disposição dos pedúnculos e das sépalas. Apenas sei que a sua corola é redonda como o centro de um malmequer amarelo e toda azulinha protegida por sépalas verdes. O pedúnculo ou é indivdual ou partem vários de um suporte colectivo. Esta é a maior incerteza! Eu era pequeno e não voltei a ver esta flor.

 

Deixo-vos aqui estas flores azuis (anónimas) em homenagem à minha linda flor do S. João. Aliás, agora brico com tudo, até com as poupas, como diz o Quico.

Em todo o mundo há flores lindas, como as minhas Flores de Inverno ou Flores da Vida mas, não ofuscam as flores das minhas Montanhas Lindas

música: Unchained Melody
publicado por Ventor às 22:26